A pátria pendura as chuteiras

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Publicada 19 de Maio, 2018 às 17:05

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Pouca identificação do torcedor com a seleção, casos de corrupção na CBF, desemprego em alta e acachapante derrota por 7 a 1 em casa tiram a força do futebol como símbolo da redenção nacional. Ainda que o Brasil tenha chances de vencer a Copa, aquela torcida eufórica e irrestrita já não é mais a mesma

A Copa do Mundo 2018 começa em 14 de junho na Rússia. Estamos quase lá, mas até agora o único sinal de empolgação dos brasileiros com o mundial é o sucesso do álbum de figurinhas. Fenômeno de vendas, teve uma tiragem inicial de sete milhões de exemplares e uma produção diária de 40 milhões de cromos. O sucesso de vendas do álbum da Copa se repete a cada quatro anos. O mesmo não se pode dizer da euforia do torcedor. Longe das bancas de jornal, o clima é de apatia e a seleção já não fascina como antes. Um levantamento realizado pela Paraná Pesquisas apontou que 65,8% dos entrevistados estão pouco ou nada interessados no evento. Apenas 8,8% se disseram muito entusiasmados. A falta de interesse é justificada, principalmente, quando se lembra do fiasco da última Copa, com a vergonhosa derrota em casa para a Alemanha por 7 a 1. Mas a apatia é também reflexo de uma situação bem mais complexa que envolve o futebol e é influenciada pelo que ocorre longe dos gramados ? a economia e a política. A partida contra a Alemanha escancarou deficiências que até então permaneciam ocultas sob a mística do futebol como paixão nacional. Nem a conquista do inédito título Olímpico, em 2016, aliviou a frustração. "O 7 a 1 mostrou a desorganização do nosso futebol", diz Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato de Atletas de São Paulo. "Ao contrário da Europa, nunca houve aqui uma preocupação em trabalhar a parte emocional dos jogadores, o lado intelectual. Se olharmos para a história das Copas, todas as vezes que o Brasil perdeu a organização deixou muito a desejar. Nosso futebol só se sustenta no talento do jogador brasileiro", afirma Martorelli. Nos bastidores, a atuação das instituições esbarra nos limites da lei. Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, os três últimos dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), órgão máximo do esporte, são investigados por corrupção. Marin cumpre pena de prisão nos Estados Unidos (leia mais ao lado).

Falta também uma identificação do público com a seleção brasileira. Poucos atletas, além de Neymar, são conhecidos por todos. Dos 23 convocados pelo técnico Tite, apenas três jogam no Brasil. Todos os outros defendem times europeus (e um joga na China). É um reflexo do atual mercado da bola, responsável por levar jogadores muito jovens para clubes espalhados pelo planeta. Com isso, os ídolos ficam distantes do coração do torcedor. "As rivalidades clubísticas alimentavam ainda mais a expectativa em relação à Copa", diz Flávio de Campos, professor de história da USP e coordenador do Ludens, núcleo que estuda o futebol. Segundo Campos, agora há uma desvinculação dessa seleção em relação à torcida. A agressividade do mercado em buscar os maiores talentos do mundo teve início no final da década de 1980 e só tem se intensificado. A elitização também tem afastado grande parte do público dos estádios. Com um futebol de qualidade mediana e ingressos caros, muitos perderam o interesse pelo esporte.

Enquanto esses grandes astros da seleção, cujo valor total de mercado beira os R$ 4 bilhões, recebem seus salários milionários, a realidade no Brasil é bem diferente. Segundo os dados mais recentes divulgados pela CBF, relativos a 2017, são 24 mil jogadores profissionais defendendo 722 clubes no país. Em 2015, 82,4% recebiam salários de até R$ 1 mil e 96% ganhavam até R$ 5 mil. Um dos casos mais emblemáticos que escancarou essa realidade é o de Wendell Lira, vencedor do Prêmio Puskas, da Fifa, oferecido ao gol mais bonito do ano, em 2015. Na época, ele defendia o Goianésia, time do interior de Goiás. Após receber a homenagem, anunciou que estava se aposentando dos gramados para se dedicar aos campeonatos profissionais de videogames. Hoje é um dos principais jogadores da modalidade, além de youtuber e palestrante. "A mudança me deu um ganho financeiro e também de carreira, porque eu não sabia quanto tempo ainda tinha para jogar. Hoje não dependo tanto do meu corpo, tenho mais tempo e mais condições de sustentar a família", diz ele.

Fonte: ISTOÉ

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