Pesquisadora Paranaense, desenvolve sorvete à base de tilápia para aliviar dores da quimioterapia da filha

Paranaense criou o produto, após a filha passar por um tratamento de câncer de mama. Produto facilita ingestão de proteína animal e pode auxiliar no alívio de feridas formadas na boca pela quimioterapia, segundo pesquisadora.

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Publicada 13 de Janeiro, 2022 às 10:10

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A pesquisadora Ana Maria Silva, de Marechal Cândido Rondon, no oeste do Paraná, desenvolveu um sorvete à base de tilápia. A ideia surgiu após a paranaense acompanhar o tratamento de um câncer de mama da filha.

O intuito do sorvete é oferecer proteína animal, ao mesmo tempo em que alivia o incômodo das feridas na boca causadas pela quimioterapia.

Tudo começou em 2019, quando a filha de Ana Maria foi diagnosticada com câncer de mama aos quatro meses de gravidez.

Naquele momento, a filha da pesquisadora tinha dificuldade para ingerir proteína animal e estava com feridas na boca em decorrência da quimioterapia. Os problemas se transformaram em um impulso para a ciência.

"Quando ela fazia a quimioterapia tinha feridas na boca e ficava com ela bem sensível, então pedia para comprar sorvete que acalmava, dava um alívio. Ela não conseguia comer carne por causa das fibras. Começamos então a fazer almôndega e hambúrguer com a carne micro moída e ela conseguia comer. Juntei o sorvete que ela tomava e micro carne e pensei: se eu juntasse o sorvete à proteína do peixe que é nutricionalmente saudável e desenvolvesse esse produto para pacientes com câncer?"

Ana Maria comenta que sorvete tem gostos conhecido pelo paladar. "Tem sabor de sorvete de creme com leve toque de baunilha".

A transformação
 
A tilápia foi importante em um período delicado para a família, contudo, está presente nos estudos de Ana Maria desde 2008.

Através de métodos de biotecnologia, o pescado foi transformado em líquido para poder ser facilmente adicionado ao sorvete.

Em breve, segundo a pesquisadora, o produto passará por mais testes, como nutricional, composição e análise sensorial.

O próximo passo é transformar a tilápia líquida em pó para facilitar a adição no sorvete e outros produtos que poderão ser desenvolvidos, como bolos, tortas e suplementos alimentares.

Experimento

Conforme Ana Maria, o produto ainda não é comercializado, mas pôde ser degustado pelos participantes do evento International Fish Congress & Fish Expo Brasil 2021, maior encontro brasileiro da cadeia do pescado, realizado em Foz do Iguaçu, no dia 24 de novembro de 2021.

O produto poderá ser utilizado no tratamento de pessoas com câncer após passar por testes específicos.

Amor de mãe
 
A filha da pesquisadora, Ana Paula da Silva Leonel, está curada e a neta dela não teve complicação alguma.

Bem de saúde, Ana Paula conta que há dez anos ela e a mãe trabalham juntas com projetos de alimentação à base de pescado para a alimentação escolar.

Ela comenta que a mãe a acompanhou durante todo o tratamento do câncer, sendo muito importante este apoio para a recuperação dela. Com emoção, ela fala sobre o estudo que a mãe vem desenvolvendo.

"Quando minha mãe me contou sobre isso, eu fiquei muito feliz, muito lisonjeada, muito especial, por ela pensar em mim pra criar um produto que poderá ajudar muita gente no futuro. Me sinto muito amada."

Produção de tilápia no Paraná

A escolha do peixe como base para o estudo, segundo Ana, também ocorreu pela grande produção do pescado no estado. "A cadeia da tilápia está consolidada em todo Paraná, e por ser um pescado de sabor leve e agradável, pode se desenvolver os mais variados produtos."

De acordo com o Anuário Peixe BR de 2020, o Paraná produziu 172 mil toneladas de peixes, destas, 166 mil toneladas eram de tilápia.

O estado lidera a produção do peixe no Brasil, com 21% de todo pescado brasileiro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná possui 24,6 mil produtores de tilápia e o ocupa a terceira posição nacional em exportações do peixe.

Ana Maria é doutoranda do Programa de Pós graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Campus de Marechal Cândido Rondon com orientação do professor Arlindo Fabrício Correia.

Foto: Arquivo Ana Maria Silva

Fonte: G1

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