UTIs mal distribuídas

Apenas 31 cidades concentram as 791 vagas de terapia intensiva para adultos disponíveis pelo SUS no estado. Número total de leitos é considerado satisfatório

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Publicada 23 de Setembro, 2010 às 16:04

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Motoristas que se acidentam gravemente no trânsito em Rolândia, no Norte do Paraná, precisam viajar 27 quilômetros em uma ambulância para conseguir um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Como a cidade não tem UTI Adulto, os pacientes são encaminhados para o município mais próximo para receber o tratamento emergencial. Neste caso, vão a Londrina. O problema não é exclusivo dos rolandenses: outros 367 municípios do estado não têm vagas em UTI para atender pacientes a partir de 15 anos em estado grave de saúde. Os dados são do Ministério da Saúde.O Paraná tem 791 leitos de UTI Adulto que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 31 cidades, ou seja, apenas 7,7% dos municípios dispõem do serviço. O número absoluto de leitos totais (somando os neonatais, pediátricos e de queimados), por outro lado, é um dos melhores do país. O Paraná é o quinto estado com o maior número de vagas de UTI e é o terceiro, junto com o Rio Grande do Sul, que tem mais leitos com relação à proporção da população: são 1,7 leito de UTI para cada 10 mil habitantes, segundo pesquisa da Associação de Medicina Inten­­siva Brasileira (Amib).O problema está justamente no modo como os leitos estão distribuídos no estado. "A distribuição é muito ruim. Se andar de Ponta Grossa até Guarapuava existe (no meio do caminho) leitos de UTI Adulto só em Irati. São unidades que normalmente existem apenas em cidades de referência (maiores), por isso muitos outros municípios ficam desassistidos", afirma o membro da Amib no Paraná Álvaro Réa-Neto. Para ele, além da falta de leitos em algumas cidades e a concentração em outras, há também o problema da distribuição entre o que é serviço público (atendido pelo SUS) e particular. "Metade dos leitos está na rede privada, mas a questão é que apenas 22% da população paranaense têm um plano de saúde", diz. Analisando apenas os leitos de UTI Adulto de Curitiba - que tem o maior número de vagas justamente por ser o principal centro de referência no estado - é possível perceber a má distribuição. São 240 leitos em hospitais particulares contra 174 que atendem pelo SUS. Cidades como Cascavel, Cianorte, Londrina, Maringá e Toledo chegam a ter quase 50% dos leitos no SUS e 50% em hospitais privados. "Sul e Sudeste têm os melhores números de leitos de UTI, mas são, metade deles, para quem tem plano de saúde. Por isso temos pacientes que não conseguem leitos e acabam sendo tratados em macas nos corredores dos pronto-socorros", diz Réa-Neto.A cidade de Rolândia, citada no início da reportagem, vai receber dez leitos de UTI Adulto que já estão prontos, mas precisam de credenciamento para conseguir ganhar o custeio da unidade quando estiver em funcionamento. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) afirma que existem 130 leitos privados contratados pela Sesa que ainda não foram credenciados (por isso não estão contabilizados pelo Ministério da Saúde), mas que hoje funcionam porque o próprio governo paga a conta. Existem também outros 60 leitos em novos hospitais que não foram credenciados, contudo já estão em funcionamento e outros 70 que deverão operar ainda este ano.MortesA taxa de mortalidade de pacientes internados em UTI é de 26%, quando os médicos que cuidam deles não se comunicam ou raramente trocam informações. O porcentual é resultado de uma pesquisa feita pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde, ambos de Porto Alegre (RS).Foram analisados 792 pacientes no período de 18 meses. "Avaliamos aqueles médicos que se comunicavam bem, aqueles que têm uma comunicação moderada e os que não se comunicam. A pesquisa não pode dizer que a falta de comunicação resultou necessariamente em óbito, mas percebe-se que os médicos que se comunicam mal tiveram índices piores no tempo de internação do paciente, por exemplo", afirma o supervisor-técnico da CTI Adulto do hospital, Eubrando Silvestre Oliveira.No grupo de médicos que trocava informações diariamente a taxa de mortalidade caiu pela metade, foi de 13%. Segundo Oliveira, a equipe que se comunica mal tende a atrasar o início do tratamento do paciente com antibióticos, por exemplo, porque a enfermeira pode demorar para receber o pedido do remédio e ministrá-lo. Há ainda problemas de alterações de tratamento, conforme o médico que entra no plantão, e desinformação para os familiares.O diretor clínico do Hospital Vita Curitiba, Jackson Baduy, diz que se uma informação não repercute nas UTIs e no hospital de maneira geral, ela deixa de existir. "O médico pode ser o melhor intensivista do mundo mas, se não passar a informação, o seu setor não irá funcionar direito", diz. Ele lembra ainda que, se antigamente as UTIs eram vistas como o lugar onde a pessoa vai praticamente para morrer, por causa da gravidade em que se encontra, hoje isto mudou. "Os pacientes vão justamente para se evitar qualquer complicação. Um idoso que é diabético e passa por uma cirurgia de prótese no quadril vai para a UTI mais por prevenção, para ficar protegido", exemplifica.Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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