MP e Polícia Civil apuram se há relação entre suicídio registrado em Medianeira e morte de petista em Foz

Em respeito aos familiares, não divulgaremos imagens do fato registrado no último domingo no centro de Medianeira

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Publicada 18 de Julho, 2022 às 21:00

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O Ministério Público e a Polícia Civil do Paraná investigam se há relação entre um suicídio e o assassinato do guarda municipal Marcelo Arruda, morto a tiros na noite de 9 de julho no aniversário de 50 anos comemorado com uma festa temática do PT em Foz do Iguaçu (PR).

Funcionário da Itaipu, Claudinei Coco Esquarcini, 44, morreu em Medianeira, onde cometeu suícídio. Diretor da associação onde ocorreu a festa, ele é apontado como o encarregado pela instalação do sistema de câmeras de vigilância no local do crime. O celular dele foi apreendido pela Polícia Civil e será encaminhado ao Instituto de Criminalística, informou documento encaminhado pelo MP à Justiça hoje à tarde, ao qual o UOL teve acesso.

O policial penal Jorge José da Rocha Guaranho teve acesso às imagens da festa quando estava em um churrasco com amigos, segundo a Polícia Civil. Integrantes da associação que participavam da confraternização mostraram as imagens a partir de seus celulares a Guaranho. Em seguida, ele foi ao local para "provocar" os participantes do aniversário do petista, de acordo com as investigações.

Questionado sobre o acesso às câmeras, José Augusto Fabri, vigilante da Itaipu, citou Claudinei como o encarregado pelo sistema de monitoramento, instalado no local para prevenir furtos.

"Tem que ter uma senha. Esse processo quem faz é o Claudinei. Como ele conhece de configuração, montagem, manutenção e ele faz parte da diretoria, então ele cuida dessa parte", disse o vigilante em depoimento à Polícia Civil.

Pedido de diligências complementares Um requerimento assinado hoje em conjunto pelos representantes legais da família de Marcelo Arruda solicitou diligências complementares à 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu após o episódio.

Os advogados querem que o presidente da associação seja intimado para apresentar a lista completa dos associados ao Ministério Público. Eles também solicitam a busca e apreensão do celular de Claudinei "tendo em vista que os equipamentos celulares de [nomes das duas testemunhas que mostraram o vídeo da festa ao atirador] foram utilizados pelo criminoso para visualizar as câmeras", cita o pedido.

O requerimento solicita ainda a quebra dos sigilos telefônico e telemático para extração de áudios, vídeos e conteúdos em redes sociais. Os advogados querem saber quais associados poderiam ter acesso às câmeras de monitoramento do local da festa, e se as senhas foram disponibilizadas por Claudinei.

"Há risco de destruição de provas e as medidas e diligências requeridas são de natureza urgente", diz um dos trechos do pedido.

O pedido cita a relação de amizade entre o atirador e duas testemunhas, que teriam exibido as imagens da festa ao autor do crime. "Guaranho [e as duas testemunhas] são amigos, frequentam [as mesmas] festas e participam de dois grupos do WhatsApp", cita o pedido.

O advogado Daniel Godoy entende que as autoridades devem quebrar o sigilo telefônico do diretor da entidade para apurar como as imagens foram acessadas. "O suicídio deve ser apurado, pois ele [Claudinei] era o responsável pelas câmeras e pelas senhas de acesso. É possível que ele tenha viabilizado o acesso às imagens", afirmou.

MP pede urgência em análise de dados do celular de atirador.

Em resposta às demandas dos representantes legais da família da vítima, o promotor Tiago Lisboa Mendonça encaminhou manifestação à Justiça solicitando o encaminhamento dos laudos periciais ainda pendentes na investigação do assassinato, incluindo ainda a solicitação de câmeras de vigilância no trajeto do atirador até o local do crime.

O MP também reforçou no documento a importância da extração dos dados do celular do atirador, apreendido na semana passada pela Polícia Civil.

"A extração integral dos dados contidos no aparelho celular do agressor, com posterior análise pelas equipes policiais, permitirá acesso à integralidade das informações e dados ali constantes", Trecho de documento enviado pelo MP à Justiça.

"Também permitirá acesso a todas as conversas travadas pelo agressor, sejam privadas ou em grupos, em todas as redes sociais que eventualmente este participasse", complementa o pedido.

Abalado após o crime, dizem amigos

Pessoas próximas a Claudinei ouvidas pelo UOL sob a condição de anonimato dizem que ele ficou abalado emocionalmente após o crime. Agora, o Ministério Público e a Polícia Civil do Paraná querem saber se há relação entre o suicídio e o assassinato do petista.

A Itaipu Binacional, onde Claudinei trabalhava, emitiu nota de pesar pelo seu falecimento. "Claudinei trabalhou na Itaipu por 20 anos, sempre como agente de segurança da Divisão de Segurança da Central. A Itaipu está prestando toda a assistência necessária à família, a quem expressa suas condolências". Claudinei deixa esposa e três filhos.

Lacunas na investigação

Apoiador de Jair Bolsonaro (PL), o atirador foi ao local da festa de carro com a esposa e a filha de três meses no banco de trás com gritos de apoio ao presidente e ataques ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dando origem ao desentendimento, segundo consta em depoimentos e nas imagens do crime.

Ele foi indiciado na última sexta-feira (15) por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e por causar perigo a outras pessoas, com pena que pode variar de 12 a 30 anos de prisão.

A delegada Camila Cecconello descartou crime de ódio por motivação política, baseando-se no relato da esposa do atirador. Os advogados da família da vítima contestam, citando o relato de uma testemunha, que disse ter ouvido Guaranho gritar "aqui é Bolsonaro" instantes antes de atirar.

Com a conclusão em apenas cinco dias, ainda há lacunas para serem preenchidas na investigação, como a extração dos dados no celular do atirador e a leitura labial na cena do crime.

As informações contidas no aparelho podem auxiliar a investigação a identificar uma eventual participação indireta de terceiros na ação, de acordo com representantes legais da família de Arruda.

O promotor Tiago Lisboa Mendonça, do núcleo regional de Foz do Iguaçu do Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado), notificou a Justiça na sexta-feira informando aguardar o despacho de indiciamento formal e os laudos periciais pendentes no inquérito policial.

O inquérito ainda aguarda exames, como perícia de confronto balístico, exame complementar no veículo usado pelo atirador e laudo em local de morte. Também não foi feita a reconstituição no local do crime.

Procure ajuda

Caso você tenha pensamentos suicidas, procure ajuda especializada como o CVV (www.cvv.org.br) e os Caps (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por email, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.

Fonte: UOL

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