São Miguel: Operação da PF mira líderes de organização criminosa que desviou R$ 60 milhões de recursos públicos

Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (07), a Polícia Federal divulgou os detalhes da Operação Apocalipse

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Publicada 07 de Outubro, 2020 às 11:34

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Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (07), a Polícia Federal divulgou os detalhes da Operação Apocalipse, deflagrada na manhã de hoje, que tinha como objetivo desarticular uma organização criminosa inserida no âmbito do Poder Executivo do município de São Miguel do Iguaçu.

Na coletiva falaram o Delegado Regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado - DPF Mozart Fuchs, o Delegado Chefe da Delegacia DPF - Roberto Biasoli e o Delegado Coordenador da Operação - DPF Adriano Chamme. Confira no vídeo as informações:

Polícia Federal deflagra a Operação "APOCALIPSE"

Foz do Iguaçu - A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira, 7/10, a operação policial denominada "Apocalipse", que tem como propósito desarticular uma organização criminosa inserida no âmbito do Poder Executivo de um município pertencente à circunscrição da Delegacia Regional de Foz do Iguaçu.

Estão sendo cumpridas 130 ordens judiciais, sendo duas de prisão preventiva, quatro de prisão temporária, 51 mandados de busca e apreensão e 44 ordens de afastamento de sigilo bancário e fiscal.

Além destas medidas, por meio de 30 ordens específicas, foi realizado o bloqueio de ativos financeiros e a constrição patrimonial na ordem de 20 milhões de reais.

Referidas ordens foram expedidas pelo egrégio Tribunal Regional Federal da 4a Região, que tem jurisdição nos estados da região Sul do Brasil.

A investigação tramita nesse Tribunal porque um dos investigados possui foro por prerrogativa de função.

As investigações revelaram indícios de práticas delitivas perpetradas por uma organização criminosa infiltrada no Poder Executivo de um município localizado na região oeste do Estado do Paraná, especializada no cometimento de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, falsidade e uso de documentos e lavagem de capitais dos ativos ilicitamente angariados.

De forma resumida, o esquema criminoso iniciava por meio de fraudes em processos licitatórios das secretarias de relacionadas à saúde pública, limpeza urbana e esporte e cultura.

Os elementos angariados demonstram que as empresas selecionadas, algumas delas apenas de fachada, estavam relacionadas, direta ou indiretamente, a um empresário municipal. Com os contratos em vigor, foram realizadas inúmeras manobras ardilosas que possibilitaram o desvio de recursos públicos e enriquecimento ilícito daqueles que foram identificados como os supostos líderes da organização criminosa. Essas práticas possibilitaram uma exponencial evolução patrimonial de alguns investigados, cujos bens estavam ocultados em nome de interpostas pessoas, mas foram revelados pelas medidas investigativas adotadas no bojo da presente investigação.

No período de 2013 a 2020, em 25 procedimentos licitatórios, foram movimentados mais de R$ 60 milhões de verbas públicas por meio de 25 contratos celebrados com as empresas do grupo.

Foram encontrados robustos elementos que indicam que até o procedimento licitatório relacionado ao combate da pandemia causada pelo coronavírus foi manipulado pela  organização criminosa.

A operação, batizada de "Apocalipse", tem seu nome relacionado ao padroeiro da cidade onde os fatos foram praticados, Arcanjo Miguel, o qual é reportado no livro de Apocalipse como um guerreiro na luta contra o mal.

Redação: Guia Medianeira / Comunicação Social da Polícia Federal em Foz do Iguaçu/PR

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