Oportunidades na Pandemia: Cooperativistas vislumbram oportunidades no agronegócio brasileiro

O primeiro Fórum do Agronegócio 'Perspectivas do Setor Pós-Pandemia', promovido pela JCI Cascavel e JCI Medianeira,transmitido ao vivo no YouTube, reuniu três representantes do agronegócio da região Oeste do Paraná.

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Publicada 1º de Setembro, 2020 às 10:06

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O primeiro Fórum do Agronegócio "Perspectivas do Setor Pós-Pandemia", promovido pela JCI Cascavel e JCI Medianeira, aconteceu no último dia 19 de agosto, transmitido ao vivo no YouTube, reunindo três representantes do agronegócio da região Oeste do Paraná.

Participaram do Fórum Dilvo Grolli presidente da Coopavel Cooperativa Agroindustrial de Cascavel, Irineo da Costa Rodrigues Diretor-Presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial e Elias José Zydek Diretor Executivo da Frimesa Cooperativa Central; mediados pelo Diretor de Comunicação da JCI Cascavel Diego Krüger.

Durante bate-papo por mais de uma hora e meia, as personalidades cooperativistas do Oeste paranaense discutiram sobre os reflexos da pandemia do Coronavírus no agronegócio desde março até o momento, formas de enfrentamento econômico a médio prazo e perspectivas de mercado no período pós-pandemia.

Confira algumas dessas informações repassadas pelos cooperativistas:

 

REFLEXOS NOS ÚLTIMOS MESES

DILVO - "Nosso setor é muito privilegiado. Se olharmos a economia brasileira, o agronegócio crescerá ainda mais por ofertarmos a alimentação na mesa dos brasileiros e não poderíamos parar de trabalhar. Mesmo com todas as restrições, procedimentos de trabalho nas fábricas e propriedades, paralisações e desconfiança/medo por causa do Coronavírus, ainda crescerá em torno de 8% no ramo alimentício. Outros dados importantes é que o agronegócio é responsável por 56% de todas as exportações brasileiras, e no Paraná a produção de grãos cresceu 12%; além da geração de mais de 50 mil empregos das cooperativas oestinas. Portanto, as cooperativas paranaenses têm relevante importância no agronegócio e no resultado positivo da economia brasileira".

 

ELIAS - "Dois fatores que influenciaram para que não tivéssemos tantas dificuldades neste período: fomos considerados atividade essencial por produzirmos alimentos e alimentar a população; outro fator ponderante foi a aparição da Peste Suína Africana na China, dizimando os suínos de lá - fazendo com que houvesse forte demanda internacional por proteínas animais (frango, suínos, bovinos). Com isso, ampliou nosso nicho de mercado, abrindo mais oportunidades de atendermos demanda externa da China. Um de nossos desafios foi adequar o nosso portfólio para o consumo, pois restaurantes, hotéis, fast-foods e eventos praticamente foram paralisados. Tivemos que nos adaptar aos clientes que compravam no varejo porque as pessoas passaram a ficar mais tempo em casa"

 

IRINEO - "Somos uma região agrícola por excelência e o agro não parou em nenhum momento na pandemia, pois os animais têm o seu ciclo de abate e as lavouras o seu ciclo de colheita. Além disso, para que as pessoas tenham acesso à saúde, alimentos e medicamentos, alguns ramos econômicos deveriam continuar trabalhando; e dentre eles, justamente o do agronegócio, que leva o alimento para a mesa da população. Outro ponto importante é que, oportunizou-se, até agora, é a troca de conhecimentos sobre como trabalhamos, e é algo que veio para ficar pós-pandemia. Nosso setor sai fortalecido da pandemia, reconhecido e estaremos preparados para produzir ainda mais; com maiores cuidados na saúde e na higiene".

 

ENFRENTAMENTO A MÉDIO PRAZO

DILVO - "Mesmo redobrando os cuidados com segurança, saúde e incorporando nos nossos processos, a forma econômica mundial não mudará muito: alguém precisa produzir, alguém precisa fazer a logística e alguém precisa se alimentar. Mas o grande questionamento é como tudo será feito pós-pandemia. Teremos um mundo mais exigente, seletivo e preocupado com a rastreabilidade da onde vem esse alimento, produzido e como chegou até o consumidor. O que devemos fazer é crescer mais ainda, baseando-nos naquilo que já conquistamos com novas estratégias; e a região Oeste e o Paraná estão muito bem organizados quando ao agronegócio, ao valor agregado e com as melhores oportunidades de continuar crescendo com sabedoria - ao sairmos dessa pandemia para um novo relacionamento com o consumidor".

 

ELIAS - "Existem dois grandes atores no enfrentamento econômico pós-pandemia: um deles é a iniciativa privada, pois chegou a hora de investir, executar projetos, desenvolvimento produtivo sustentável e aplicar os recursos na atividade produtiva - gerando empregos, renda, consumo e bem-estar social. E o outro ator é o setor público, que precisa fazer a redução da carga tributária daqueles que produzem/trabalham, enxugar a máquina pública. Devemos agir nessas duas pontas como empreendedores e cobradores do Estado para que eles façam seus papeis. Por isso não devemos ficar somente esperando a ação ou boa vontade dos nossos representantes políticos, nós da sociedade civil é que devemos cobrar mais, sermos ativos e exigir que cumpram suas obrigações".

 

IRINEO - "É uma preocupação enorme termos a sanidade blindada, pois o Brasil tem investido relativamente bem nesse setor, com pesquisas realizadas por diversos órgãos mostrando as vulnerabilidades que o país pode ter; além do sistema de vigilância, onde as cooperativas e iniciativa privada ajudou muito o governo do Estado por estarmos livres da Febre Aftosa sem vacinação. Temos a Cordilheira dos Andes no Chile que protege a nossa região e a Argentina; e a Floresta Amazônica. Pode até não impedir a passagem das aves migratórias, mas o sistema de vigilância que o Brasil tem, sempre coletando sangue dessas aves, sempre nos dá a ideia de risco de trazer doenças aos nossos planteis ou não. Vivemos num país em que estamos relativamente protegidos, mas para um país que depende muito do agronegócio é fundamental nos preocuparmos com a sanidade".

 

PERSPECTIVAS PÓS-PANDEMIA

DILVO - "O Brasil tem uma competitividade muito grande conquistada nos últimos anos, mesmo as estatísticas mostrando que o governo brasileiro investe somente 1% de subsídio na agropecuária, ao contrário do que fazem na Europa ou no Japão, que chega a 50% aos produtores rurais. O mundo precisará de mais alimentos e, se olharmos para 2050, quando chegaremos a ter 9,5 bilhões de habitantes, o planeta deverá produzir 60% a mais do que é produzido hoje. E é a nossa maior oportunidade: com o crescimento, aumentará a demanda e a esperança de corrigirmos determinadas anomalias na distribuição e alimentação das pessoas. A América do Sul é a grande reserva mundial na produção de alimentos e, entende-se que 50% dessa reserva fica no nosso país. Somos o país que terá mais condições, futuramente, de atender essa demanda. Mas antes de tudo, o que devemos fazer é a lição interna: melhorar a infraestrutura (desde o trabalho no campo, passando pela indústria e chegando na mesa do consumidor), entender essa demanda e suas necessidades".

 

ELIAS - "Temo dois grandes desafios em oportunidades de mercado. O primeiro é como lidarmos com o mercado internacional, com as barreiras externas. Há barreiras tributárias, alfandegárias, sanitárias, de cotas; e nós precisamos aprender a negociar melhor. A Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil Tereza Cristina tem sido uma grande negociadora do agronegócio brasileiro, e é preciso que o Ministério das Relações Exteriores também participe. Nós como nação produtora devemos construir mais relações bilaterais no mundo, pois abrirão mais portas para as nossas produções. E o outro ponto é a renda, gerar poder aquisitivo para maior consumo. E para conseguirmos renda, devemos gerar empregos, gerar melhores oportunidades de trabalho, os profissionais qualificando-se mais para as atividades. Por exemplo, num projeto de abatedouro de aves, de um frigorífico ou de produção de laticínios, já é concebido com vários 'robôs' trabalhando na linha de produção. E quem vai operar essas máquinas ou robôs? Não será aquela pessoa que faz o chão de fábrica, será um engenheiro ou um tecnólogo ou qualquer outra pessoa que tenha a formação".

 

IRINEO - "Estudos recentes mostram que até o ano de 2026, precisaremos ter uma produção alimentícia ainda maior para alimentar aqueles que entrarem nos dados de população economicamente ativa. E aonde crescerá a produção de alimentos no mundo? A Rússia tem condições de crescer 7,5% no aumento da produção, Austrália e Canadá 9%, Estados Unidos 10%, Bloco Europeu (formado por 27 países) crescerá 12%, a China crescerá 15%. E quanto o Brasil poderá crescer para ter a oferta de alimentos? Temos potencial para crescer 41% nos próximos 6 ou 7 anos; é algo estarrecedor! E se hoje nós somos importantes para o mundo, imaginem o quanto seremos daqui seis, sete ou mais anos? E se realmente alcançarmos esses números, o que poderá acontecer dentro do nosso país? O mundo inteiro certamente está olhando para o Brasil: cada vez mais conheceremos empresas de tecnologia ofertando infraestrutura, maquinário e conhecimento querendo investir no País. E depois dessa produção crescente, a reação em cadeia: a produção precisa ser manufaturada, escoada, precisa de logística. Então, imaginem quantas pessoas virão ao Brasil para serem agentes de vendas, corretores, seguradoras, órgãos financeiros, estruturação de portos para exportação e para o mercado interno. Portanto, nos traz muito entusiasmo por estarmos no setor certo, no momento certo para fazermos nossas empresas crescerem; gerando empregos de qualidade".

 

Ao falarem sobre a importância em participarem do Fórum, os três cooperativistas afirmaram:

DILVO - "Fui presidente da Câmara Junior de Cascavel, um dos fundadores dessa organização local e onde eu tive os primeiros contatos sobre os conceitos de associativismo e empreendedorismo. E sobre o fórum, foi uma oportunidade de falarmos sobre o agronegócio do Paraná e também aos jovens líderes que prestigiaram a noite".

ELIAS - "Satisfação em trocar experiências e informações com as três lideranças cooperativistas e demais participantes online. Os princípios e valores da Câmara Junior e do cooperativismo têm muitos pontos em comum, deixando-nos alinhados filosoficamente no Fórum. E que nunca percamos a esperança para dias melhores no agronegócio".

IRINEO - "Iniciativa válida pelas organizações de Cascavel e Medianeira em trazer temas atuais para discutirmos com a Frimesa e a Coopavel. Foi um grande intercâmbio de conhecimento, além de repassarmos um pouco do que o agronegócio está vivendo no Oeste do Paraná e o potencial das Cooperativas".

 

E demonstrando satisfação em organizar o primeiro evento, os presidentes da JCI Cascavel Christofer Farias e JCI Medianeira Tanner Rafael Gromowski enfatizaram: "Foi uma aula com três grandes conhecedores do agronegócio, ao sabermos o que têm feito nestes meses da pandemia. Afinal, é um dos poucos ramos econômicos que não pararam, por causa da sua importância fundamental para a economia brasileira", disseram.

Acompanhe o Fórum do Agronegócio clicando nesse link https://www.youtube.com/watch?v=kIu-Qmj0zM4&feature=youtu.be. E quem estiver interessado em conhecer os trabalhos da JCI Cascavel e JCI Medianeira, basta acessar nossas redes sociais no Facebook.

 

Assessoria

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