China diz que detectou coronavírus em frango importado do Brasil

Importações estão mantidas, e autoridades recomendam cuidados no preparo dos alimentos. Ministério da Agricultura disse que alimentos são seguros.

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Publicada 13 de Agosto, 2020 às 20:06

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A prefeitura de Shenzhen, cidade da China próxima de Hong Kong, anunciou nesta quinta-feira (13) que detectou o novo coronavírus em um controle de rotina de frango importado do Brasil, o maior produtor mundial.

"O vírus Sars-CoV-2, responsável pela doença Covid-19, foi encontrado recentemente em uma amostra coletada da superfície de um lote de asas de frango congeladas importadas", informou um comunicado divulgado pela Sede de Prevenção e Controle de Epidemias de Shenzhen.

De acordo com o número de registro informado no comunicado da prefeitura de Shenzhen, o lote pertence ao frigorífico Aurora, de Santa Catarina. Em nota, a cooperativa afirmou que não foi notificada pelo governo chinês sobre o ocorrido e que não há "confirmação oficial por parte da autoridade pública nacional da China".

Em nota, a Associação Catarinense de Avicultura (Acav) disse o processo produtivo é seguro e que o setor está em contato com a China.

'Não devemos criar a impressão de que há problema com nossa cadeia alimentar', diz OMS
 
O Ministério da Agricultura disse, em nota, que "até o momento não foi notificado oficialmente pelas autoridades chinesas sobre a ocorrência" e que pediu explicações à Administração Geral de Alfândega da China (GACC).

A Embaixada da China no Brasil afirmou na tarde desta quinta-feira (13) que "por enquanto, não há novas restrições para a importação brasileira". "O lado chinês está trabalhando com lado brasileiro para melhor identificar onde e como ocorreu a contaminação", diz a embaixada em nota enviada ao G1.

Atualmente, o Brasil tem 6 frigoríficos com exportações suspensas para a China por conta de preocupações com a Covid-19. Nenhum deles é da Aurora.

O G1 também procurou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que disse que "está analisando as informações de possível detecção de traços de vírus em embalagem de produto de origem brasileira" (veja a nota na íntegra no final da reportagem).

"Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há comprovação científica de transmissão do vírus da COVID-19 a partir de alimentos ou embalagens de alimentos congelados", diz o ministério (leia a íntegra da nota no final da reportagem).

O comunicado da prefeitura de Shenzhen também diz que, pela segunda vez, traços do coronavírus foram encontrados em camarões procedentes do Equador (leia mais abaixo).

As autoridades chinesas informaram que submeteram imediatamente a exames de diagnóstico as pessoas que tiveram contato com os produtos contaminados, assim como seus parentes. Todos os testes apresentaram resultado negativo, segundo o comunicado.

O comunicado de Shenzhen também pede para que consumidores sejam cautelosos ao comprar carne congelada e frutos do mar importados, e a continuar tomando medidas de proteção para minimizar o risco de infecção pelo novo coronavírus. 

Exportações brasileiras
 
A contaminação de frango brasileiro pode provocar uma nova queda das exportações brasileiras para a China. Em fevereiro de 2019, Pequim passou a aplicar, por cinco anos, tarifas antidumping ao frango brasileiro, que vão de 17,8% a 32,4%.

Em julho, os embarques de carne de frango do Brasil, por sua vez, terminaram julho com queda de 5,7% em relação a mesmo mês do ano passado, totalizando 364,6 mil toneladas, segundo a ABPA.
As receitas atingiram US$ 498,2 milhões, recuo de 25% no ano a ano.

Apesar disso, a ABPA ainda acredita que as exportações da proteína devam manter a alta no acumulado do ano - entre janeiro e julho, foram embarcadas 2,471 milhões de toneladas, leve avanço de 0,5% ante os sete primeiros meses de 2019.

O Brasil, maior produtor mundial de carne de frango, era até 2017 o principal fornecedor de frango congelado para a China, por um valor que se aproximava de US$ 1 bilhão por ano e um volume que representava quase 85% das importações do gigante asiático.

Nos últimos anos o país perdeu parte do mercado para Tailândia, Argentina e Chile, de acordo com a consultoria especializada Zhiyan.

Fonte: G1

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