As pessoas que trabalham nos nossos frigoríficos se sentem mais protegidas do que na rua, diz diretor da Frimesa

Na Frimesa, dos 7,5 mil funcionários, 570 estão afastados. Dos 88 trabalhadores com coronavírus, 53 são de Medianeira.

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Publicada 28 de Junho, 2020 às 10:43

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O registro de mais de mil casos positivos da Covid-19 em trabalhadores de frigoríficos instalados no Estado do Paraná motivou a realização de reunião virtual entre integrantes da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), representantes de entidades e dirigentes de frigoríficos para a ampliação das medidas que buscam conter a propagação do novo coronavírus entre os funcionários desses estabelecimentos. A preocupação também se deve ao fato de 100 mil pessoas trabalharem nos 300 frigoríficos em atuação no Paraná.

Em entrevista ao O Presente, o diretor-executivo da Frimesa, Elias Zydek, reconhece que a Covid-19 avança para o interior do Paraná e do Brasil como um todo. "Em praticamente todas as cidades existem casos e eles tendem a se concentrar onde tem mais gente reunida. Em função disso, logo que a disseminação começou há três meses, os dirigentes de frigoríficos se reuniram através da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o que resultou na criação de um protocolo padrão. Foi contratado o Hospital Albert Einstein (de São Paulo) para assessorar o trabalho e criamos uma espécie de manual que vem sendo aperfeiçoado de lá para cá, inclusive serviu de base para a portaria emitida há alguns dias pelos ministérios da Saúde, da Agricultura e da Indústria e Comércio", menciona.

Conforme Zydek, este protocolo, de quase 100 páginas, prevê todas as ações e precauções que devem ser tomadas nos frigoríficos. "Por exemplo, o frigorífico por si só é uma indústria de alimentos que possui rigor muito grande estabelecido pelo Ministério da Agricultura, pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Estamos obedecendo isso, mas também foram tomadas novas medidas. Quem chega no acesso às plantas passa por pré-teste, e no caso de pessoas com sintomas elas são afastadas. Elas vão para o departamento médico, onde ocorre análise mais detalhada para ver se há mais algum sintoma, como dor de garganta, dor de cabeça. Quando afastadas, essas pessoas seguem para a área de saúde do município, que realiza o acompanhamento em casa e depois se persistir faz o teste", explica o diretor-executivo.

CASOS POSITIVOS

Dos 7,5 mil funcionários da Frimesa em todos os setores, neste momento 570 estão afastados por precaução, mas isso, destaca o diretor-executivo, não significa que estejam com a Covid-19. "Isso porque tiveram convivência em casa, social ou dentro da própria indústria com alguém que testou positivo ou que apresentou algum dos sintomas anteriormente citados. Este número é rotativo, ou seja, todo dia tem alguém com sintoma e que é afastado, além de gente que passou pela quarentena e está voltando", expõe, acrescentando: "Na empresa como um todo, além dos 570 afastados, 150 trabalham em home office, então 720 pessoas saíram dos seus postos. Desse total há 88 casos positivos na Frimesa em todo o Brasil, dos quais cinco já retornaram ao trabalho e agora voltam cada vez mais. Não tem nenhum funcionário em estado grave, eles estão em casa. Dos 88 casos, 53 são de Medianeira. O laticínio de Matelândia possui casos, bem como nos entrepostos e depósitos também há pessoas afastadas. Em Marechal Rondon, onde há o laticínio, fábrica de iogurte e frigorífico de suínos, não há nenhum caso confirmado de coronavírus", frisa.

 

CUIDADOS

De acordo com Zydek, todas as medidas possíveis de serem tomadas estão sendo realizadas. "Não há mais o que fazer, ou seja, tudo o que é possível já vem sendo realizado. Nós usamos máscara cirúrgica, proteção facial, diminuímos o quadro de pessoas, afastamos a metragem entre um e outro, o refeitório foi reescalonado. Os ônibus têm cortinas que dividem os assentos, de forma que cada funcionário é isolado por meio de divisória entre um e outro", pontua, emendando: "Ocorre que as pessoas se contaminam na vida pública, nas ruas, nos locais que frequentam socialmente e trazem isso aos frigoríficos".

AVANÇO

A preocupação de setores da saúde pública é que o frio pode contribuir à proliferação do coronavírus e como os frigoríficos são ambientes com frio intenso, o que aumentaria o tempo de vida do vírus, em tese isso representaria um maior risco de contágio dos trabalhadores.

"Cientificamente não tem nada confirmado quanto a isso. Dizem que o vírus gosta de local mais frio, mas como se comprova que o Amazonas e a região Nordeste tiveram tanta contaminação com o calor que tem lá? Frigorifico é frio, por isso uso de equipamento de proteção individual (EPI), roupa especial e proteção", enfatiza.

Zydek salienta ter participado recentemente de live com o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, que contou com envolvimento de outras empresas do segmento e entidades. "Ontem (terça-feira, dia 23) participei da live com o governador Ratinho Junior e o vice-governador Darci Piana. Nós estamos mais avançados do que o Estado exige das comunidades dos municípios, então não tem como fazer mais do que já está se fazendo", comenta.

"A prioridade é cuidar, proteger as pessoas, tocar o barco, no entanto precisamos produzir alimentos para as pessoas comerem. E fazemos isso com todos cuidados necessários. Eu diria que hoje as pessoas que trabalham nos nossos frigoríficos se sentem mais protegidas do que na rua em função desses acompanhamentos, do quadro de médicos, enfermeiros, portanto os cuidados geram certa tranquilidade", frisa.

 

SERIEDADE

De acordo com Zydek, a maior preocupação é que as pessoas da área urbana não estão levando muito a sério as recomendações de não aglomeração, uso de máscaras e álcool gel. "Elas devem se preocupar e cuidar mais. Claro que no inverno se (realmente) o vírus gosta mais do frio é preciso mais cuidado. Entendemos que esta pandemia chegou ao interior, este pode ser o pico, uma vez que o período crítico deve seguir até 15 de julho e depois começa a ceder", avalia. "Isso é baseado em dados técnicos e estatísticos do que ocorreu em outros locais, desde internacional, então deve acontecer esse processo", amplia.

 

ABAIXO DO PREVISTO

Ele menciona que, segundo relatório, o percentual de pessoas infectadas pelo coronavírus nos frigoríficos e laticínios está abaixo do que foi previsto. "A taxa de letalidade do vírus não é tão grande quanto se tinha medo, então há muito pavor em cima disso. Hoje (quarta-feira, dia 24) recebi 20 pessoas que fizeram testes e dessas 14 já estão com anticorpos, ou seja, passaram pela contaminação e saíram sem saber. Acho que isso traz um alento no sentido de que o 'bicho' não é tão violento assim. De qualquer forma, penso que devemos ter cuidado, pois o maior problema é não ter estrutura para atender as pessoas ao mesmo tempo. A infraestrutura de saúde ainda é precária no Brasil e não tem condição de atender muita gente ao mesmo tempo, por isso se prega o cuidado redobrado para não acumular tanta gente ao mesmo tempo", conclui Zydek.

 

Fonte: O Presente

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