Juiz ouve ‘as ruas’ e manda soltar PMs acusados de execução

Magistrado determinou que os policiais filmados matando dois traficantes na Pedreira sejam transferidos da unidade e trabalhem na parte administrativa.

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Geral / Brasil / Mundo
20 de Abril, 2017 1.972

Publicado em: 20/04/2017 às 09:36

O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, do 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, aceitou os argumentos do Ministério Público e concedeu a liberdade para os policiais militares Fabio de Barros Dias e David Gomes Centeno, lotados no 41º BPM (Irajá), acusados de executar dois traficantes na frente da Escola Municipal Jornalista e Escritor Daniel Piza, na Pavuna, no último dia 31 de março.

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A cena foi filmada por um morador, que postou [as imagens] nas redes sociais. Nessa mesma operação, a estudante Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, acabou morrendo por balas perdidas que a atingiram na perna e na cabeça durante uma recreação no pátio. O magistrado escreveu em sua decisão que, após passar horas e horas meditando sobre a questão, ponderou “especialmente [sobre] a voz das ruas”. E citou as palavras do desembargador Ricardo Rodrigues Cardozo: “As relações sociais mudaram, e a magistratura precisa mudar também. O juiz moderno não pode mais ser aquela figura da ‘torre de marfim’, especialista em temas do Direito, mas insensível ao que acontece fora de seu gabinete”.

Abrahão se mostrou preparado para as críticas que virão: “O julgamento destes fatos me dá a convicção de que a decisão, seja ela qual for, será alvo de apedrejamento público. Especialistas, mesmo sem conhecer o processo, farão ‘julgamentos’, criarão ‘teses conspiratórias’, ‘insinuações’. E continuou falando sobre [eliminar] o sobre o cenário de guerra que tomou conta do Rio de Janeiro: “A sociedade, estou consciente, está desestruturada pela guerra assimétrica enfrentada nesta ex-cidade maravilhosa. O cidadão, no final, pretende tão somente viver em paz e merece pelos altos preços que paga em todos os sentidos. Enfim! A turbulência faz parte do jogo democrático. Assim como a promotora de justiça, aceito esse ônus da função. Afinal, em momentos de intolerância extrema, nós, juízes, acabamos alvo de toda sorte de ataques!”, escreveu.

Fonte: Veja

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