Estudo aponta municípios do Paraná que mais regeneraram a Mata Atlântica

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15 de Fevereiro, 2017 4.950

Publicado em: 15/02/2017 às 09:12

Atualizado em: 15/02/2017 às 09:15

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgam nesta segunda-feira (13/2) uma avaliação detalhada sobre a regeneração da Mata Atlântica no estado do Paraná. O Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que monitora a distribuição espacial do bioma, identificou a regeneração de 75.612 hectares (ha), ou o equivalente a 756,12 km2, entre 1985 e 2015. A área corresponde a aproximadamente 1,75 vezes a cidade de Curitiba.

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Segundo os dados do Atlas, Santa Helena foi o município que apresentou mais áreas regeneradas no período avaliado, num total de 6.682 ha, seguido da cidade de São Miguel do Iguaçu (3.887 ha), Foz do Iguaçu (2.948 ha), Itaipulândia (2.841 ha) e Londrina (2.342 ha).

Confira na tabela abaixo a regeneração ocorrida nos municípios:

 

O estudo analisa principalmente a regeneração sobre formações florestais que se apresentam em estágio inicial de vegetação nativa, ou áreas utilizadas anteriormente para pastagem e que hoje estão em estágio avançado de regeneração. Tal processo se deve tanto a causas naturais, quanto induzidas por meio do plantio de mudas de árvores nativas. O destaque está no oeste do Paraná. Os 4 primeiros municípios se localizam na região de Itaipu e no Parque Nacional do Iguaçu, foi identificado mais 2.905 hectares de regeneração.

A Mata Atlântica cobria originalmente 99% da área do Paraná, ou seja, um pouco mais de 19,9 milhões de hectares. Hoje, restam apenas 2.295.746 milhões hectares do bioma – 11,7% desse total. De acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais, nos últimos 30 anos foram desmatados 461.530 mil hectares de Mata Atlântica no estado. Dos 399 municípios paranaenses, todos têm ocorrência da Mata Atlântica. 

O Paraná tem cinco municípios entre os 10 que mais desmataram o seu bioma em todo o país, entre 1985 e 2015, o equivalente a uma área total de 90 mil hectares, ou cerca de 900 quilômetros quadrados, quase a área total do município paranaense de São José dos Pinhais (931,7 km²). Além disso, da lista dos 100 municípios que mais desmataram em 30 anos, o Paraná aparece com 39 cidades.

Bons ventos na Mata Atlântica

Nos últimos 30 anos, houve uma redução de 83% do desmatamento do bioma. De acordo com Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, sete dos 17 estados da Mata Atlântica já apresentam nível de desmatamento zero. “Agora, o desafio é proteger o que resta e recuperar e restaurar as florestas nativas que perdemos. Embora o levantamento atual não assinale as causas da regeneração, ou seja, se ocorreu de forma natural ou decorre de iniciativas de restauração florestal, é um bom indicativo de que estamos no caminho certo”, afirma Marcia.

Ao longo da história, a ONG foi responsável pelo plantio de 36 milhões de mudas de árvores nativas espalhadas pelo país, especialmente nas áreas de preservação permanente, no entorno de nascentes e margem de rios produtores de água.  A Fundação SOS Mata Atlântica também restaurou uma área em Itu, uma antiga fazenda de café, que hoje é destinada para atividades relacionadas a questões de conservação dos recursos naturais e restauração florestal.

“Durante o monitoramento, constatou-se a existência de outras áreas ocupadas por comunidades de porte florestal em diversos estágios intermediários de regeneração, áreas essas que devem ser mapeadas e divulgadas em futuros estudos”, esclare Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE.

Este estudo foi realizado com o patrocínio de Bradesco Cartões e execução técnica da empresa de geotecnologia Arcplan. A análise se baseia em imagens geradas pelo sensor OLI a bordo do satélite Landsat 8. O Atlas utiliza a tecnologia de sensoriamento remoto e de geoprocessamento para monitorar remanescentes florestais acima de 3 ha.

Sobre a Mata Atlântica

A Mata Atlântica está distribuída ao longo da costa atlântica do país, atingindo áreas da Argentina e do Paraguai nas regiões Sudeste e Sul. De acordo com o Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, a Mata Atlântica abrangia originalmente 1.309.736 km2 no território brasileiro. Seus limites originais contemplavam áreas em 17 estados: PI, CE, RN, PE, PB, SE, AL, BA, ES, MG, GO, RJ, MS, SP, PR, SC e RS. Nessa extensa área vivem atualmente mais de 72% da população brasileira.

Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica atua há 30 anos na proteção dessa que é a floresta mais ameaçada do país. A ONG realiza diversos projetos nas áreas de monitoramento e restauração da Mata Atlântica, proteção do mar e da costa, políticas públicas e melhorias das leis ambientais, educação ambiental, campanhas sobre o meio ambiente, apoio a reservas e unidades de conservação, dentre outros. Todas essas ações contribuem para a qualidade de vida, já que vivem na Mata Atlântica mais de 72% da população brasileira. Os projetos e campanhas da ONG dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar a existir. Saiba como você pode ajudar emwww.sosma.org.br.

Sobre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) atua nas áreas de Observação da Terra, Meteorologia e Mudanças Climáticas, Ciências Espaciais e Atmosféricas e Engenharia Espacial. Possui laboratórios de Computação Aplicada, Combustão e Propulsão, Física de Materiais e Física de Plasmas. Presta serviços operacionais de monitoramento florestal, previsão do tempo e clima, rastreio e controle de satélites, medidas de queimadas, raios e poluição do ar.

O INPE aposta na construção de satélites para produção de dados sobre o planeta Terra, e no desenvolvimento de pesquisas para transformar estes dados em conhecimento, produtos e serviços para a sociedade brasileira e para o mundo. Também se dedica à distribuição de imagens meteorológicas e de sensoriamento remoto, e à realização de testes e ensaios industriais de alta qualidade. Além disso, o Instituto transfere tecnologia, fomentando a capacitação da indústria espacial brasileira e o desenvolvimento de um setor nacional de prestação de serviços especializados no campo espacial. Mais informações em www.inpe.br.

Fonte: Bem Paraná

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