Longe de casa, a experiência de morar em outro país

Revista Guia
21 de Fevereiro, 2017 826

Publicado em: 21/02/2017 às 09:44

Atualizado em: 21/02/2017 às 10:32

Uma escola de idiomas e muito calor. Dessa forma surpreendemos Admiralda Listra, com o convite de participar dessa matéria. 

Nós queríamos imigrantes, ela haitiana se encaixava no perfil. Questionada, aceitou de imediato: "Eu aceito". 

Já nas primeiras palavras foi possível identificar o português sendo aprendido na sua essência, juntamente com a experiência de morar em outro país, um sorriso tímido e uma história que renderia um texto de arrepiar. 

Admiralda veio para o Brasil a pedido de seu pai, que já reside em Medianeira: "No Haiti a situação é diferente, eu sempre busquei estudar bastante, principalmente outros idiomas para que através do meu conhecimento tivesse mais oportunidades". 

Um ano em Medianeira, atualmente reside em São Miguel do Iguaçu, aqui é professora de Francês (idioma oficial do Haiti), no município vizinho atua como doméstica. Quando residia em seu país natal, era vendedora autônoma de roupas. 

A situação de seu país é conhecida por todos, aos olhos dela as pessoas sofrem muito com os terremotos: "Existem muita dificuldades lá". 

Com 22 anos, a professora diz que é bom morar no Brasil, mas ficar longe da família é um pouco complicado: "Lá ganhava meu dinheiro e não precisava pagar aluguel e essas coisas. Aqui tenho meus empregos mas também tenho minhas despesas maiores".

Alguns lugares da região já foram destino de visita dela, e um impressão forte ficou marcada em relação ao povo daqui: "Existem muitas pessoas boas e queridas. Mas também tem muita gente racista. Sofro bastante com isso". 

A principal dificuldade de Admiralda foi encontrar um trabalho: "Em meu país estudei muito, tenho muito valor no Haiti. Aqui as pessoas tratam a gente como um lixo, o racismo é evidente". 

Agora, com empregos fixos, ela diz que a situação tem melhorado, e remete isso ao seu grande sonho: "Normalmente, quem sabe de nossos sonhos é Jesus Cristo. Mas eu tenho um sonho, que é sempre ser fiel a Jesus, e fiel a minha capacidade, trabalhar sempre com a minha força, para ganhar meu dinheiro e ajudar as pessoas que precisam". 

Ao final da conversa, ela faz questão de dizer algo bastante notável: "Eu tenho um recado para deixar para as pessoas, sobre o racismo. Deus criou todo mundo, existem brasileiros, americanos, haitianos, mas quase todo país tem pessoas pretas e pessoas brancas.  O que diferencia é o coração, como você age na sociedade. O que importa é se seu coração é bom e se você faz coisas boas". 

Em um tempo de opiniões escancaradas e notícias difíceis, ouvir este relato nos exige pensar um pouco por outro ângulo. Seja Admiralda e pratique o bem, seja o bem.

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